Chacina de Pioz: delegado da PF que investigou o caso diz que crime foi ‘estarrecedor’

 

Dez anos depois da Chacina de Pioz, o delegado da Polícia Federal Gustavo Barros ainda considera o caso um dos mais difíceis de sua carreira. Em entrevista ao Jornal da Paraíba, ele relembrou a investigação que apurou, na Paraíba, a possível participação de Marvin Henriques Correia nos assassinatos de quatro pessoas da mesma família, ocorridos na Espanha, em agosto de 2016.

Na cidade de Pioz, na Espanha, Patrick Nogueira assassinou brutalmente a facadas quatro parentes de sua própria família: a tia Janaína Santos Américo, foi morta a facadas na cozinha. Em seguida, Patrick assassinou brutalmente os dois primos pequenos: Maria Carolina Américo Nogueira, de 3 anos, e David Américo Nogueira, de 1 ano.

Após matar a tia e os primos, e aguardava a chegada do tio, Patrick trocou mensagens com Marvin Henriques Correia, que estava em João Pessoa contando detalhes do crime e o que pretendia fazer depois da morte de Marcos. Após os assassinatos, ele esquartejou os corpos dos adultos e os ensacou em sacos de lixo plásticos para ocultar a cena. Os corpos só foram encontrados um mês após o crime.

LEIA MAIS:

Para o delegado, o caso chamou atenção não apenas pela violência dos assassinatos, mas também pela existência de mensagens e imagens relacionadas ao crime, produzidas enquanto os acontecimentos ainda estavam em andamento. Segundo ele, ter acesso a esse tipo de material não é algo comum em uma investigação criminal.

“Isso é um pouco estarrecedor até para quem está acostumado a ver”, afirmou Gustavo Barros ao falar sobre o conteúdo analisado pela Polícia Federal.

A investigação na Espanha apontou Patrick Nogueira, sobrinho de uma das vítimas, como responsável pelos assassinatos. Depois de deixar o país, ele retornou ao Brasil e passou a ser procurado pelas autoridades espanholas.

Caso chegou à Polícia Federal


					Chacina de Pioz: delegado da PF que investigou o caso diz que crime foi ‘estarrecedor’
Marcos, Janaína e os dois filhos do casal foram mortos por Patrick, na Espanha. Foto: Reprodução/Facebook/Janaina Diniz Diniz. Foto: Reprodução/Facebook/Janaina Diniz Diniz

Quando a polícia espanhola identificou Patrick como suspeito, ele já estava no Brasil. Um mandado de prisão para extradição foi incluído na lista da Interpol, mas havia um obstáculo: por ser brasileiro nato, Patrick não poderia ser extraditado.

A situação provocou repercussão internacional e levantou questionamentos sobre a atuação das autoridades brasileiras. Segundo Gustavo Barros, inicialmente a Polícia Federal não tinha atribuição para investigar o crime, já que os assassinatos haviam ocorrido integralmente na Espanha.

Patrick, entretanto, foi espontaneamente até a sede da PF na Paraíba para prestar depoimento. Familiares das vítimas também foram ouvidos.

Os depoimentos e documentos foram reunidos em um procedimento preliminar. Diante da repercussão do caso e da possibilidade de aplicação da legislação brasileira a um crime cometido no exterior, o material foi encaminhado para análise da direção da Polícia Federal, em Brasília.

Ministro da Justiça autorizou investigação

A atuação oficial da Polícia Federal começou depois de uma determinação do então ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

Segundo Barros, o caso apresentava uma situação jurídica incomum: Patrick, sendo brasileiro nato, não poderia ser extraditado, mas também não poderia permanecer no Brasil sem responder pelos assassinatos.

Com a autorização, a PF instaurou um inquérito e passou a investigar os homicídios e os elementos relacionados à permanência de Patrick no Brasil.

"Nossa investigação seguiu o padrão que é o padrão da Polícia Federal: técnica, discreta, sem espetáculo, sem exposição de ninguém, com sigilo"

A primeira medida foi pedir à Justiça a prisão e a busca na residência do suspeito. Também foi solicitado o compartilhamento, por meio da cooperação jurídica internacional, das provas produzidas pelas autoridades espanholas.

Patrick deixou o Brasil antes de ser preso


					Chacina de Pioz: delegado da PF que investigou o caso diz que crime foi ‘estarrecedor’

A decisão judicial que autorizou a prisão e a busca demorou alguns dias para ser analisada. Quando os mandados foram expedidos, Patrick já estava deixando o Brasil. Enquanto os policiais federais cumpriam a busca na residência dele, o suspeito desembarcava na Espanha, onde acabou preso.

Mesmo sem encontrar Patrick, a operação resultou na apreensão de materiais considerados relevantes para a investigação.

Entre os objetos estavam um cartão de transporte utilizado na região dos crimes, chips telefônicos, uma nota fiscal de celular e um tênis que, segundo a investigação, poderia ter relação com o crime.

Para Gustavo Barros, esses objetos ajudaram a complementar as informações que já haviam sido obtidas pelas autoridades espanholas.

Patrick foi preso na Espanha no dia 19 de outubro de 2016, após se entregar.

Print de imagens levou investigadores até Marvin

Um dos momentos mais importantes da investigação aconteceu de maneira inesperada.

Barros contou que recebeu em um grupo de contatos um print de imagens que estavam na lixeira de um celular. À primeira vista, o conteúdo poderia passar despercebido. No entanto, o delegado percebeu que uma das imagens mostrava parte de um dos corpos.

A fotografia chamou a atenção porque correspondia às informações que constavam na documentação enviada pela polícia espanhola.

“Eu vi aquele print e tive a curiosidade de olhar o que era (...) eu reparei lá que que tinha fotos, uma das fotos do corpo partido no meio”, contou.

A partir daquele material, os investigadores começaram a refazer o caminho percorrido pel

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem
As Notícias de Soledade-PB e Região !