Ato de Flávio Bolsonaro na Paulista reúne 28,5 mil pessoas e ganha tom de protesto contra Moraes Política 08/09/2026

 


A manifestação convocada pelo senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), realizada neste 7 de Setembro na Avenida Paulista, em São Paulo, ganhou força como um ato de críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O empresário paulista Luciano Romão, de 55 anos, afirmou que a divulgação de mensagens envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Moraes foi determinante para sua decisão de participar do protesto.

“Eu já estava propenso a vir, mas essa última semana me fez estar aqui na Avenida Paulista hoje”, afirmou.

A referência é à divulgação, no início de setembro, de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, por determinação do ministro André Mendonça. Os diálogos mostram contatos entre Vorcaro e um número identificado como sendo de Alexandre de Moraes, além de conversas relacionadas à Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o banco.

As mensagens também levantaram questionamentos sobre um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

A divulgação do conteúdo provocou uma crise dentro do STF, com um confronto entre Moraes e Mendonça. O episódio passou a ocupar espaço central nos discursos realizados durante a manifestação.

Público menor que em anos anteriores

O ato reuniu aproximadamente 28,5 mil pessoas em seu momento de maior concentração, segundo levantamento do Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP/Cebrap, em parceria com a organização More in Common.

A estimativa foi realizada por meio de imagens aéreas captadas por drone e analisadas por um sistema de inteligência artificial capaz de identificar e contabilizar as pessoas presentes.

O número ficou abaixo das estimativas registradas em manifestações anteriores na Avenida Paulista. Em 2025, o monitor apontou 42,2 mil participantes no local, enquanto, em 2024, foram estimadas 45,4 mil pessoas.

Críticas ao STF e apoio a Mendonça

Durante o ato, manifestantes vestidos predominantemente de verde e amarelo carregavam bandeiras do Brasil, adesivos de candidatos da direita e cartazes com críticas ao STF e a Alexandre de Moraes.

Também foram observadas bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, além de um boneco inflável gigante do presidente norte-americano Donald Trump.

No palco montado em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), políticos e lideranças do bolsonarismo defenderam o impeachment de Moraes e manifestaram apoio a André Mendonça.

Entre os presentes estavam o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o pastor Silas Malafaia.

Flávio Bolsonaro iniciou seu discurso por volta das 16h20 com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes.

“Fora Lula e fora Moraes”, declarou o senador.

Flávio também afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende indicar novos ministros para o STF alinhados a pautas defendidas pelo campo conservador.

Tarcísio defende respeito à Constituição

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também discursou durante o evento e afirmou que nenhuma autoridade deve estar acima da lei.

“Ninguém, absolutamente ninguém, está acima da lei e da Constituição. Banqueiro nenhum, senador nenhum, magistrado nenhum, ministro nenhum, governador nenhum, presidente da República nenhum”, afirmou.

Já o pastor Silas Malafaia fez fortes críticas a Alexandre de Moraes, a quem chamou de “ditador”. Ele também pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que afaste Moraes de processos relacionados ao caso.

Crise entre Moraes e Mendonça

A tensão entre os dois ministros aumentou após Moraes encaminhar a Fachin um pedido de investigação contra André Mendonça. A medida ocorreu dois dias depois de Mendonça solicitar que o plenário do STF analisasse um relatório da Polícia Federal sobre possíveis irregularidades relacionadas à atuação de Moraes e suas relações com Daniel Vorcaro.

Moraes acusou Mendonça, em tese, de possíveis atos de improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade, além de questionar sua imparcialidade na condução de processos envolvendo o escândalo do INSS e o Banco Master.

Fachin determinou que os ministros Moraes e Mendonça, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentassem manifestações sobre a crise.

Especialistas ouvidos pela imprensa avaliam que o conflito interno pode afetar a imagem do STF perante a sociedade. Para a cientista política e jornalista Grazielle Albuquerque, o episódio transmite a impressão de que o tribunal enfrenta uma crise interna sem uma solução previsível.

CARIRI EM AÇÃO

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