A 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), joga luz sobre o que há de mais sofisticado e, ao mesmo tempo, de mais degradante na simetria do poder em Brasília. Investigar fraudes bilionárias, o uso espúrio do parlamento para favorecer interesses de banqueiros e o trânsito de vantagens indevidas é o papel constitucional das instituições. O que não se justifica, e clama por uma crítica severa, é a gritante disparidade com que o ministro-relator do caso no Supremo Tribunal Federal, o “terrivelmente evangélico” e bolsonarista André Mendonça, maneja a balança da Justiça. Onde há o rigor implacável da caneta para uns, há um silêncio sepulcral e uma pasmante inércia para outros.
O escândalo em torno do extinto Banco Master e de seu ex-controlador, Daniel Vorcaro, redesenhou o mapa das relações promíscuas entre o sistema financeiro e o Congresso Nacional. Diante do colapso de uma estrutura acusada de fraudar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), a Polícia Federal e o STF começaram a puxar os fios de uma extensa rede de influência política. No entanto, o desenho final dessa malha de suspeitos, sob a tutela de Mendonça, revela uma seletividade que afronta a lógica do interesse público e evoca fantasmas de blindagem partidária e ideológica.