Obesidade avança no Brasil e cirurgia bariátrica é o procedimento de excelência para casos graves

 



O avanço da obesidade tem acendido um alerta entre especialistas em saúde no Brasil e no mundo. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde, do IBGE, apontam que cerca de 25% dos adultos brasileiros vivem com obesidade, enquanto o Atlas Mundial da Obesidade 2024 estima que mais de 60% da população adulta do país apresenta excesso de peso.

Reconhecida atualmente como uma doença crônica e multifatorial, a obesidade está associada a uma série de comorbidades importantes, entre elas diabetes tipo 2, hipertensão arterial, apneia do sono, doenças cardiovasculares e esteatose hepática. Nesse cenário, o crescimento recente do uso de medicamentos para perda de peso tem despertado dúvidas sobre a eficiência dos fármacos a longo prazo e as consequências do uso indiscriminado.

De acordo com o médico Dr. Leandro Nóbrega, cirurgião digestivo e bariátrico, o procedimento cirúrgico continua sendo considerada uma das abordagens mais eficazes para a perda de peso.

“Mesmo com o avanço das terapias farmacológicas, a cirurgia bariátrica segue como um tratamento consolidado e eficaz para pessoas com obesidade e com saúde debilitada. Ela é indicada principalmente para pacientes com obesidade grau 3, com IMC igual ou acima de 40 kg/m², ou para pessoas com IMC acima de 35 kg/m² associado a doenças relacionadas à obesidade, como diabetes tipo 2, hipertensão e apneia do sono grave”, explica o especialista.

Segundo ele, nos últimos anos as indicações também passaram a considerar pacientes com IMC entre 30 e 35 kg/m², quando há comorbidades metabólicas importantes e de difícil controle clínico.

Tratamento vai além da perda de peso

Segundo o Dr. Leandro Nóbrega, a cirurgia bariátrica não deve ser vista apenas como um recurso extremo ou como uma solução puramente estética. “A técnica faz parte de uma abordagem escalonada e personalizada no tratamento da obesidade. Em alguns casos, é a opção mais apropriada, quando interfere na saúde e quando há a possibilidade de agravamento de doenças por causa da obesidade”.

Ele explica que a decisão pela cirurgia precisa ser individualizada, levando em conta fatores como gravidade da obesidade, presença de doenças associadas, resposta ao tratamento clínico e perfil de risco do paciente. Entre os principais benefícios estão a melhora e, em muitos casos, remissão de doenças como diabetes tipo 2 e hipertensão, além da redução do risco cardiovascular e melhora da qualidade de vida.

Além disso, o procedimento possui cobertura obrigatória pelos planos de saúde e também é ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) dentro de critérios clínicos estabelecidos.

Acompanhamento de longo prazo é essencial

Apesar dos resultados positivos, o especialista ressalta que a cirurgia não representa um ponto final no tratamento da obesidade, pois os cuidados com a saúde dependem do cuidado diário.

Por se tratar de uma condição crônica, pode haver reganho de peso ao longo do tempo em qualquer estratégia adotada, sejam GLPs, as “canetinhas”, seja com a própria cirurgia bariátrica, embora as taxas sejam menores após a cirurgia quando comparadas a outros tratamentos.

“Para manter os resultados, é fundamental que o paciente tenha acompanhamento contínuo de um cirurgião especializado e sua equipe, com uma abordagem multidisciplinar. Nutricionistas, psicólogos, endocrinologistas e equipe médica trabalham juntos para garantir que essa mudança seja sustentável ao longo da vida”, destaca o médico.

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