
Os arquivos mais recentes divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA relacionados ao caso Epstein contêm citações ao presidente Lula e elogios ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como mostrou a BBC Brasil.
Acusado de comandar uma rede de tráfico sexual, envolvendo inclusive menores de idade, Epstein elogiou Bolsonaro em uma troca de emails com o ideólogo da extrema-direita Steve Bannon em 2018.
“Bolsonaro mudou o jogo. Nenhum refugiado quer entrar. Bruxelas não lhe diz o que fazer. Ele só precisa reativar a economia. MASSIVO”, escreveu Epstein em 8 de outubro de 2018. Na véspera, houve o primeiro turno da eleição presidencial, que selou o embate entre Fernando Haddad e Bolsonaro, que seria o vencedor.
Bannon responde, dizendo: “Eu sou muito próximo desses caras — eles me querem como conselheiro. Devo fazer isso?”, e Epstein continua: “É meio o argumento ‘reino no inferno’ de novo”. O ex-estrategista de Donald Trump declararia apoio a Bolsonaro naquele ano.

As novas mensagens também contêm citações ao presidente Lula, feitas pelo linguista Noam Chomsky. Em mensagem a Epstein em setembro de 2018, Chomsky escreveu: “No Brasil, muito envolvido em atividades do ‘Lula Livre’ (Valeria e eu o visitamos na prisão ontem) e outros compromissos”. Em outro e-mail, Chomsky diz que Lula é o “prisioneiro político mais importante do mundo”, e que as acusações contra o petista eram “risíveis”. De acordo com os arquivos divulgados, Chomsky teve longas conversas com Epstein e foi convidado para ir às casas do financista.
As autoridades brasileiras já haviam aparecido nos arquivos em outra leva de documentos divulgada em novembro passado. Em outro trecho de uma conversa com Bannon, Epstein diz que Chomsky ligou a ele com Lula, da prisão. Bannon então, responde: “Diga a ele que meu cara [aparentemente se referindo a Bolsonaro] ganhará no primeiro turno”. Epstein diz, então: “Bolsonaro é o cara [“the real deal”, no original em inglês].”