O problema ficou explícito durante o julgamento sobre o mandato tampão do governo do Rio de Janeiro, quando ministros do Supremo criticaram abertamente a condução de processos pelo TSE, apontando sucessivos pedidos de vista que geraram indefinições políticas. "Isso deixou claro que há uma ala do Supremo crítica ao TSE e a como os processos estão sendo conduzidos", afirmou Teixeira durante sua participação no programa.

Três ações recentes de ministros do STF demonstram como o tribunal tem antecipado debates que tradicionalmente ocorreriam na esfera eleitoral: O inquérito aberto por Alexandre de Moraes contra Flávio Bolsonaro por supostamente caluniar Lula; a solicitação de Gilmar Mendes para que a PGR investigue o senador Alessandro Vieira após tentativa de indiciar ministros na CPI do crime organizado; e o pedido de Gilmar para que Moraes investigue Romeu Zema no inquérito das fake news. Os três casos envolvem pré-candidatos a cargos eletivos nas próximas eleições.

Nova composição do TSE gera preocupação

A tensão se intensifica com a mudança na presidência do TSE, que será assumida por Cássio Nunes Marques, tendo André Mendonça como vice-presidente. Será a primeira eleição com ministros indicados por Jair Bolsonaro integrando a corte eleitoral em posições de comando. Ministros como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes demonstram preocupação com a possibilidade de o tribunal não atuar com firmeza contra a disseminação de fake news. "Essa ala do Supremo já deu início a uma cruzada contra o que eles consideram fake news de candidatos, mesmo antes do TSE analisar essas questões", afirmou Teixeira.

A divisão observada no STF em outros temas, como o Código de Ética e a crise do Banco Master, se reflete agora na relação com o TSE. Com a saída de Carmen Lúcia da corte eleitoral e a entrada de Dias Toffoli como ministro do TSE, a composição do tribunal sofrerá mudanças significativas em um ano eleitoral que promete intenso uso de redes sociais e inteligência artificial na disseminação de conteúdo.