A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de escalar a atual ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná, marca o início oficial da reforma ministerial focada nas eleições de 2026. O movimento é o pilar central de uma estratégia desenhada pelo Palácio do Planalto para garantir uma base sólida e menos dependente de negociações pontuais no Congresso a partir de 2027.
Com a saída de Gleisi em março, Lula deve iniciar uma minirreforma ministerial. O desafio será substituir nomes de sua estrita confiança por perfis que mantenham a articulação política com o Congresso em um ano que promete ser de alta temperatura eleitoral.
Embora o plano seja robusto, ele apresenta riscos imediatos. A saída de Gleisi Hoffmann das Relações Institucionais abre um vácuo na articulação política direta com o Congresso.
“Gleisi é a pessoa que detém o mapa das necessidades de cada parlamentar. Substituí-la no início de um ano eleitoral exige um nome técnico que não cause ciúmes na base aliada”, analisa um consultor político próximo ao Planalto.
Além disso, a movimentação força Lula a realizar uma reforma ministerial antecipada, tendo que acomodar novos interesses de partidos do Centrão (como o PP e o Republicanos) que desejam ocupar o espaço deixado pelos ministros que sairão para disputar as eleições.
Até o prazo final de março, o governo deve focar na entrega de obras e anúncios de impacto social nas bases eleitorais desses ministros. A ideia é que eles deixem Brasília com a imagem de “realizadores” para facilitar a entrada na campanha.